O que a evidência desaconselha

Práticas comuns e bem-intencionadas que a investigação desaconselha — e o que fazer em vez delas.

2 secções. Abre a de que precisas.

  1. Porquê uma página sobre o que não fazer

    Porque quase tudo diz o que fazer — e porque os efeitos nesta área são mais pequenos do que lhe vendem.

    Quase tudo o que existe diz ao professor o que deve fazer. Muito pouco diz o que é melhor evitar — e há práticas comuns, recomendadas de boa-fé, que a investigação desaconselha.

    Uma nota que enquadra tudo o resto: nesta área os efeitos medidos são pequenos. Nenhum programa antibullying do mundo atinge o nível máximo de certificação nos registos internacionais de evidência. Quem lhe prometer que um material resolve o bullying está a vender-lhe alguma coisa.

    Fonte: Blueprints

  2. As seis práticas a rever

    Mediação frente a frente, sessão de partilha pós-morte, eufemismos, promessa de segredo, investigar suspeitas e a palestra única.
    • Pôr agressor e vítima frente a frente para «resolverem entre eles»

      É a prática desaconselhada mais frequente nas escolas, e a que parece mais razoável. Mas bullying é, por definição, uma relação com desequilíbrio de poder; a mediação pressupõe duas partes em pé de igualdade. A sessão conjunta tende a reproduzir o desequilíbrio — a vítima minimiza para não piorar a situação e sai de lá com a mensagem de que também tem culpa.

      Em vez disso: trabalhar separadamente com cada um. As revisões sistemáticas identificam o trabalho com as vítimas e regras claras de sala de aula entre os componentes associados a redução de vitimação. A responsabilização do agressor faz-se pela via disciplinar e relacional, não por acordo negociado com quem ele agrediu.

    • A sessão coletiva de partilha logo a seguir a um acontecimento grave

      Morre um aluno, ou o pai de um aluno, e a escola reúne a turma para toda a gente falar sobre o que sente. O impulso é generoso e a prática é das mais estudadas — com resultados desfavoráveis. As revisões sobre debriefing psicológico de sessão única levantaram preocupações quanto à eficácia e à possibilidade de dano, por reexposição num momento em que a pessoa ainda está a organizar-se.

      Em vez disso: informar com clareza, manter a rotina previsível e tornar o apoio disponível sem o tornar obrigatório. Quem quiser falar, fala; quem não quiser, não é chamado a fazê-lo.

    • Eufemismos sobre a morte com crianças pequenas

      Antes dos oito ou nove anos o pensamento é concreto e literal. Quem dorme acorda; quem viaja regressa; quem se perde pode ser encontrado. Estas fórmulas não suavizam a notícia — adiam-na, e podem gerar medo de adormecer ou uma espera que não acaba.

      Em vez disso: usar «morreu» e «morte», com uma explicação simples do que isso significa. É mais duro de dizer e mais fácil de compreender.

    • Prometer segredo absoluto

      É dito com a melhor das intenções e é uma promessa que não se pode cumprir: se do que for dito resultar a perceção de perigo, a informação terá de ser transmitida. Quebrar essa promessa custa mais à criança do que nunca a ter feito — perde-se o adulto a quem ela contou.

      Em vez disso: oferecer confidencialidade com limites, dita antes e não depois: «não te posso prometer que fico só eu a saber, porque se estiveres em perigo tenho de pedir ajuda a quem te possa proteger. O que te prometo é que não falo com ninguém sem te dizer primeiro.»

    • Investigar uma suspeita de maus-tratos antes de comunicar

      Perante uma suspeita, o instinto é apurar melhor antes de «alarmar sem razão»: fazer perguntas, confrontar versões, chamar outros alunos. Isto ultrapassa o papel do professor. Fazer a criança repetir o relato a vários adultos é, em si, penoso — e perguntas mal formuladas podem contaminar o testemunho e prejudicar a proteção dela mais à frente.

      Em vez disso: ouvir sem interromper, não sugerir respostas, registar as palavras da criança tão fielmente quanto possível, e comunicar à direção. Confirmar a suspeita não é tarefa da escola.

    • A sessão única de sensibilização como resposta a um caso grave

      Marca-se uma palestra para o pavilhão, fica feito, fica registado, e o efeito sobre o comportamento é próximo de nulo. As revisões apontam para intervenções continuadas, com envolvimento de toda a escola, regras claras de sala e informação às famílias — e mostram algo contraintuitivo: acrescentar mais componentes a um programa não melhora os resultados.

      Em vez disso: poucas medidas, aplicadas com constância. Uma regra de sala que se cumpre todos os dias vale mais do que uma sessão por período.

    Fonte: Campbell

Fontes

  1. Blueprints — Registo de programas com certificação de evidência
  2. Campbell — Gaffney, Ttofi & Farrington (2021) — Effectiveness of school-based programs to reduce bullying perpetration and victimization

Pré-escolar · 1.º ciclo · 2.º ciclo · 3.º ciclo · Secundário
Atualizada a 28 de julho de 2026.